Wing Chu – IP Man

(versão revista e atualizada)

(baseado em um boato real que ouviram dizer que alguém conhecia um primo de uma pessoa que ouviu alguém contar essa história em algum lugar…)

Era uma vez na China…

Há muito tempo, tempo pra caralho mesmo, a China era basicamente divida em dois grupos: os “Han” (que eram maioria… porém grandes grandes merda… que adianta ser maioria e ser um monte de bosta pobre? Pois é… era um bando de pobre.. era o povo, por assim dizer) e os “Manchu” (esses daí já eram os ricos, ou seja quem mandava nos pobres e decidia o que pobre podia ou não fazer. Eram os caras que viviam por cima da carne seca).

Os Han

Os Han

 

Os Manchu

Os Manchu

E vocês sabem que antigamente, não existia futebol, nem video game, nem tiro ao alvo, nada.. então o pessoal daquela época praticava artes marciais. Arte marcial pra tudo.. era a garantia, a segurança de cada um… quem sabia dar porrada naquela época, era o mesmo que poder andar com uma pistola na rua, ou uma submetralhadora ou um lança missel… é.. saber lutar era realmente importante, pois não haviam inventado a pólvora ainda, nem os hackers, nem a tpm.. então… saber lutar era o que “havia“, quem sabia lutar “abalava”, “chegava chegando”… porém… nem todos podiam praticar arte marcial.. só os Manchu.
Por que? Ah.. porque os Manchu disseram que assim seria e assim foi.
E porque os Han não podia também? Nah.. pobre é uma desgraça!.. pobre ficar sabendo das coisas dá merda… depois, depois iriam cismar de aprender a ler, iam acabar querendo estudar mais, aí iam começar a exigir os direitos, vale transporte, 8 horas de trabalho por dia, mais uma hora de almoço, enfim… ia dar merda.. e rico não gosta que pobre fique fazendo muita pergunta, então proibiram os caras de praticar.
Mas pra não parecer tão radical e acabarem sendo acusados de ditadores, filhos da puta, dunga-burro, etc… eles tiveram uma brilhante ideia. Pensaram: “Monge pode! É.. Monge pode.. esses monges são uns bandos de otários mesmo, deixa os monges praticarem kung fu” .. e já que pra ser monge não precisava ser rico… já sabe né? então.. igual pra ser puliça, que não precisa ser honesto…
Mas aí então.. agora vai começar nossa história…
Lá no ano de milnovecentosebolinha, havia no monastério uma monja chamada Nig Mui (pronuncia-se Nig Mui). Uma moça bacana, bem afeiçoada, voz grossa, pés avantajados, jogava sueca, entendia as regras do futebol, curtia Ana Carolina, Cassia Eller, Isabela Taviani, LanLan, Bethania, Maria Gadu, Calcanhoto, etc… (bom gosto indiscutível), e lógico, praticava Kung Fu Shaolin tradicional.
Fazia o que dava…mas, porra!, podia não parecer, mas era mulher. foda-se que ela coçava o saco, bebia pinga sem fazer cara feia, não raspava o suvaco ou cuspia no chão, não dá pra comparar a força física de uma mulher com a de um homem… ela percebeu que valendo-se daquele tipo treinamento ela se foderia sempre, pois sempre estaria em desvantagem… então… [plim] teve uma brilhante ideia: resolveu desenvolver um estilo de luta mais adequado ao seu porte físico, que usasse menos força.. então começou a adaptar os movimentos do “shaolin” a sua realidade, encurtando os golpes e desferindo-os em pontos estratégicos (por exemplo, foi ela quem inventou os golpes “chute no saco”, “torção de mamilo”, “dedo no olho”, “aquele pózinho que o Bolo Young joga no Van Dame no filme Dragão Branco” e a “dedada no rabo”)..

jeanclaudevandammevsboloyeung

mas principalmente tirou aquele monte de viadagem que tem no kung fu.. aquela bichice daqueles saltinhos, os gritinhos de bicha, os golpezinhos com a mãozinha tortinha estilo Batoré, esse negócio de garça com câimbra, mula manca saltitante, golpe fatal do Bambi enfurecido com a derrota do seu time no Morumbi, kung fu shaolin engulidor de cobra, esmagador anal de serpente, etc.. esses golpes todos foram abolidos.. Das várias vertentes de kung fu existentes ela só manteve um, ou melhor aproveitou um: estilo Shaolin da Aranha Peluda das Patas Grandes. Só esse.

Belo exemplar da aranha peluda!

Belo exemplar da aranha peluda!

Alguns detalhes bem característicos em um lutador do estilo desenvolvido pela Monja Nig Mui (já falei como se faz a pronúncia? Ah tá.. valeu então).
1 Nunca haverá uma defesa isolada. É sempre “ataque e defesa”. É.. não tem essa de só defender, ou só atacar, tipo, passivo e ativo. A rapaziada desse grupo aí, faz as duas coisas.. é claro que somente entre seus pares, entre iguais, entre “eles”.. mas é aquilo, tá disposto a dar e a receber.. o famoso 69.

Real definição de: Dar e receber

Real definição de: Dar e receber

2 Apesar de parecer controverso, esse estilo usa muito o Bastão. E é só Bastãozão. MAs assim.. bastão artificial.. nunca o bastão no seu habitat natural, sempre é o bastão separado.. a parte.. eu diria que o bastão é só um complemento da luta.. é só pra finalizar a peleja, aí pega e bota o bastão em ação.. mas, o bastão tá lá…

Praticante de kung fu segurando um de seus bastões preferidos

Praticante de kung fu segurando um de seus bastões preferidos

Mas o kung fu normal também gosta muito de usar o bastão também.. só quem não usa esse tipo de coisa, nem gosta, desaprova e tem até o slogan “mãos vazias e cu só pra cagar” é karateca.. Karateca não usa isso não. Karate é sem nada, em pé, de frente um pro outro e de longe, na distância… as outras artes marciais adoram um bastão.. quando não tem bastão aí então apelam pro corpo a corpo, vide jiu-jitsu, por exemplo… mas enfim, voltemos ao assunto…
Mas aí tu lembra aquele bagulho de que “só monge podia praticar kung fu”? pois é.. aos poucos os caras foram percebendo que tinham feito merda.. de vez em quando rolava uns tumultos com os crentes e eles acabavam saindo da graça e partindo pra mão. É.. rapaz, nego abusa…
Imagina a cena: os monges tudo faixa preta, lá na sua meditação, em posição de buda, fazendo “a-hummmmm….” aí vinha um pela-saco e começava a zoar a parada…

“fala aê seu monge! E aí seus otário? E aí, é verdade que monge tem pau pequeno? Aí, ouvi dizer que vocês ficam um comendo o outro aí nessa porra, que vocês são tudo viado, broxa e corno…  Aí… cês ficam chupando o pau um do outro, mano? Aí, cês ficam nessa parada aí de monge, só fazendo é curso de padeiro… e de vez em quando esquece e queima a rosca! Huauahuhuuhaa”,

mas até então tudo isso os monges aguentavam.. mas quando o cara começava a cantar e a dançar rebolation, aí não tinha jeito.. aí nem o monge aguentava e metia a porrada…
E assim o tempo foi passando.. um desentendimentozinho aqui e ali, uma briguinha ou outra de vez em quando.. mas até que um dia o bicho pegou..

O Bope subindo o morro detonando geral...

O Bope subindo o morro detonando geral…

Os hômi subiram o morro e sairam tocando terror, passando a mão na  bunda das mulé, dando tiro pro alto, de caveirão e aí “deu ruim”… tacaram fogo no monastério, mataram quase todo mundo… quem não morreu foi porque fugiu.. e nessa aí, tava a nossa colega do começo da história, já com o  cabelo mais grisalho, mais madura, dona Nig Mui (lembra da pronúncia né? ah…), mas que de boba não tinha nada, quando viu que o rodo tava passando, que a chapa tava quente, meteu o pé e se mandou, trocou de nome, pintou o cabelo de loiro, arrumou passaporte falso e foi viver em outro lugar.
Lá nesse “outro lugar” aí foi só alegria, sambarilove, inshalá e harebaba…
Havia nesse outro lugar para o qual a Sra Nig Mui se mudou, uma linda filha de um comerciante.

A filha do comerciante...

A filha do comerciante…

 “Um rosto lindo e um sorriso encantador e um jeitinho de falar que me pirou.. que me pirou o cabeção.”

Não só o cabeção, como pirava a cabecinha também… bicho, a mina era mesmo um espetáculo, modelo, capa da playboy e sem fotoshop, perfeita… deixava todo mundo doido.. passava em frente a construção civil era a alegria da peãozada…

Unsmalucoaí até fizeram uma música pra ela:

“Ela não anda, ela desfila, Ela é top, capa de revista
Ela é mais mais, ela arrasa no look, Tira foto no espelho pra postar no Facebook

Onde ela chega rouba a cena deixa os muleque babando
Na boca do bico arruma buchicho e o povo xingando
É baladeiro de oficio, gosta de compromisso
Encanta com seu jeitinho ela não é de ninguém mais é chegada num lanchinho

Quando chega no baile ele é atração, descontrolada ao som do tamborzão
De vestido agarradinho ela desce ate o chão!”

Mas só que nem tudo são flores.. e antigamente não tinha essa Porra de “tô pegando”, “tô ficando”, “quero dar”, etc.. não… bagulho era sério… e não bastava casar, era casamento arranjado, era casamento a força, na marra… Tá prometida pra alguém? Já era.. vai morrer sem saber o que é outra jeba.. só aquela mesmo… enfim..

E um daqueles tal de Manchu, endinheirado, cheio da grana, marrento bagarai, não sei que merda arrumou, (sei lá, deve ter subornado o pai da menina.. afinal de contas o cara não era comerciante? Então.. deve ter vendido até a filha) e conseguiu a mão da menina em casamento.

E aí começa o dramalhão mexicano… ela não gostava desse cara.. ele mais velho, ela achava ele chato… ele falava de política, economia, ouvia João Gilberto, não gostava do PT, era anti-flamenguista, chamava corinthiano de maloqueiro, torcia pro São Paulo, tinha um Ford Fusion (carro de velho), ia pro bingo, jogava dama na praça, curtia o baile da terceira idade, viu o Garrincha jogar bola, tinha curso de datilografia e sabia o que era um mimeógrafo… ou seja: não dava. Era muito out.

Mas então, o que fazer? Não tinha muito o que ser feito.. mas… pra nossa heroína nada está perdido! É aí que ela entra de novo. Sra. Nig Mui Colorada!. Pra se livrar do casamento arranjado a gostosinha, tal qual o Cebolinha, traça um plano infalível: Aprender Kung Fu em três meses, desafiar o futuro esposo pra um combate e em caso de vitória dela o acordo seria ela ficar livre dos compromissos matrimoniais pré adquiridos sem o seu consentimento.
O cara aceitou…

Sra Nig Mui PaiMeiristicamente passa todos os seus conhecimentos e golpes secretos a jovem donzela, entrega-lhe a faixa preta e diz: “mete a porrada nesse cuzão” . 

Bagulho ficou doido pro Manchu, que perdeu a mulher e as bolas, pelo visto

Bagulho ficou doido pro Manchu, que perdeu a mulher e as bolas, pelo visto

E rapaz, deu um bolo doido lá que a porra da garota detonou o velho em poucos minutos e venceu o combate. Ficando assim livre, leve e solta e cantando: 

“Agora eu tô solteira e ninguém vai me segurar… daquele jeito… tô de sainha… daquele jeito… tô de sainha… daquele jeito…”

Até que um tempo depois, num desses bailes da vida, conheceu um outro Manchu, porém bonito, alto, forte, tinha um XR3 Conversível, curtia NXZero, Fresno, Restart, adorava a saga Eclipse, Lady Gaga, ensinou pra ela a coreografia de Single Lady, tinha a coleção completa de High School Musical e tinha feito testes duas vezes pra compor o elenco de Glee, mas não passou porque “o viado que avalia o teste não foi com a cara dele e preferiu colocar um amigo…”
Enfim, foi amor a primeira vista…

Eles se casaram… ela ensinou pra ele os segredos da arte da Sra. Nig Mui, ele por sua vez, não perdeu tempo, foi lá e patenteou a arte e batizou-a com o nome da então sua esposa “Wing Chu” (era esse o nome da capa da Playboy) e todos viveram felizes para sempre!
Depois disso, a Senhora Nig Mui deve ter lutado na justiça até o fim de sua vida pelos direitos autorais que lhe foram ursupiados, mas morreu pobre e solitária, antes mesmo do juiz decretar a sentença…
E essa é a história do Wing Chu. Uma arte marcial chinesa, de movimentos econômicos e eficientes. e o resto, é história…

Text by Igor Otávio

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